sexta-feira, 12 de junho de 2015

4 [Nuccia em Verso] - Poesia "Ausência"

Olá, pessoas lindas!

Hoje é dia 12 de junho. Enquanto todos estão passeando e comemorando com seus amores, eu comemoro uma situação "especial". Hoje tenho, exatamente, 8 anos de surdez


8 anos. 8 anos de uma mutação genética louca. De falta de uma proteína filha da p*%ta. Da presença de uma doença que gera tumores no sistema nervoso central e periférico.

8 anos sem som nenhum. Anacusia bilateral. Irreversível.

Um tempo enorme de reabilitação comunicativa. De aprendizado de leitura labial e língua de sinais. De expressão e manutenção do português.

São 8 anos explicando que, sim, existem surdos que falam, que somos perfeitamente capazes de dançar, de ter carreiras e profissões, de gostar de música, de fazer tatuagens, de transar. 

Longos anos em que passei do choque à tristeza, toquei a depressão, encontrei luz em mim mesma, saí do fundo do poço, cheguei a um razoável bem-estar e bom humor (quase sempre).

Toda essa história foi escrita e está para ser publicada (saiba mais sobre o livro "Pérolas da minha Surdez"); já até é divulgada.

Sempre que alguém me 'descobre' diz que não sabe se seria capaz de conseguir 'superar' como eu. A primeira coisa que eu respondo é que eu não superei nada; apenas me adaptei. A segunda é que ela/ele conseguiria, sim. Se, como eu, ama a vida, ama as pessoas que fazem parte dela, a natureza, sua própria essência de ser, você consegue. Porque é isso que todo faz: sobrevive.

Recentemente, fiz um curso de aprofundamento em criação literária on-line. É, quem já nasceu sabendo tudo? Eu não, com certeza.

Bom... Neste curso, temos várias aulas e desafios. A maioria é para criação de prosa, narração de contos. Porém, em uma das aulas, precisávamos criar uma poesia narrativa

Bem, criei... E o tema, tão próximo a esta data, não poderia ser outro.

Vejam como ficou:

Ausência

Tudo é importante e não percebemos
Cresci envolta em som, namorei,
             quase casei.
E então, todo o som
              sumiu.
Meu mundo virou de pernas pro ar!
E a carreira de bailarina?
E o som do mar?
O mundo que ouve não é tolerante.
Estar sem som é exercício constante.
Aprendi a ver mais,
Falar com as mãos,
Ouvir com corpo e dançar com coração.
Acreditar nos meus direitos,
Subir na vida.
Mesmo sem audição,
Não me permitir ser criança ferida.
Transformar batidas em números
E melodia em tempo musical.
Contar os graves de um ritmo,
Estudar, coreografar.
Mas Dança do Ventre não é fácil,
Não basta apenas aprender.
É preciso manter seu corpo
Em sintonia com a música.
Professoras ajudam,
Amigos apoiam,
E, então, você percebe:
Não é qualquer um que consegue.
A ausência nem incomoda
Quando é a alma que escuta.
Minha dança é no palco.
E na vida, é a luta.


Espero que tenham gostado!

Até + ver!



4 comentários:

  1. Respostas
    1. Lu!
      Que bom ver você por aqui!!! Que bom que gostou!
      Ainn... até dá vergonha!.... S2
      Volte sempre!! Mais tarde tem mais!
      bj-Ka!
      Nu.

      Excluir
  2. Que lindo Nu, cada dia que passa eu gosto mais e admiro você minha amiga querida louca e guerreira, que tem mil e uma faces e que sabe usar todas elas com muita garra e muito bom humor. Te adoro!! Beijocas da sua outra amiga doida...kkkk

    Giuli

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Giu!!
      Vc tb é um amor! Mas não exagera, mulher! Eu sou só humana... rsrs
      A vida já é difícil sozinha, pra que que agente vai complicar, certo?
      Bola p frente! XD
      Obrigada pela visita!
      bj-Ka!

      Excluir

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