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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

0 [Nuccia em Prosa] - Conto "Ariovaldo Teixeira"

Alou, pessoas!!

Indo um pouco mais devagar com as postagens, lembram? Sim, é preciso dar a devida atenção a todos os parceiros e ao meus trabalhos!

Além disso, estou começando a organizar o lançamento do Pérolas (sim, eu sou adiantada) e a escrever um livro novo... A mente não para nunca!

Que tal hoje, então, aumentarmos mais um pouquinho meu ego? 

Trago a vocês o conto "Ariovaldo Teixeira". Este conto foi finalizado no início deste ano, como um desafio de conto em tragédia aristotélica do curso de aprofundamento em criação literária que estive fazendo. Tragédia aristotélica não tem final feliz, vou logo avisando.

Apresento a história de Ariovaldo, um trabalhador honesto e simples do cais do porto, cujo primeiro filho está prestes a nascer, e que mora no subúrbio da cidade. Ariovaldo vê toda a sua vida mudar em segundos ao se deparar com uma surpresa dentro de um dos contêineres que esteve embarcando.

Aí, porque eu sou louca, e também resolvi inscreve-lo em um concurso... Vai que, né? Ele foi inscrito no concurso #Brasilemprosa do Jornal O Globo, em parceria com a Amazon e apoio da Samsung (saiba mais AQUI). Assim, quem quiser ler o conto no Kindle e levá-lo consigo para sempre (love, much love), basta acessar AQUI e salvar o conto, que está no menor preço permitido pela Amazon.

E o conto? Lá vai:
Ariovaldo Teixeira

               Dentro do ônibus lotado, Ariovaldo carregava como de costume sua bolsa com uma camisa limpa e a marmita preparada por sua esposa ao cais do porto, onde trabalhava. Sonhava acordado com o sorriso do filho que ia nascer ainda naquele mês.
               Duas horas de viagem mais tarde, Ariovaldo observava a chegada dos grandes caminhões com o carregamento do dia. Após verificar o horário, satisfeito por chegar cedo como sempre, foi ao armazém dos funcionários, onde bateu o ponto, guardou a bolsa e a comida. Agarrou seu capacete, vestiu o colete abóbora e o cinto de equipamentos
               − Bom dia, Teixo! E, aí, vamos em quantos? – perguntou um colega. O apelido Ariovaldo recebera no início da sua vida portuária, quando ainda era um arrumador de carga, fruto de seus 1,90 m de altura e ombros largos. Homem viajado, o diretor lhe disse que ele lembrava uma grande árvore da Europa. Besteira.
               − Só dois, Zé, mas dá uns mil contêineres. Um dos navios já vem meio carregado – Ele olhou para a prancheta de serviço e o relógio novamente. Tocou a sirene. Todos os carregadores e estivadores se dirigiram ao primeiro navio de carga geral, o "Grande Amareen". As tripulações de ambos só retornariam ao porto no horário da partida, madrugada do dia seguinte.
               Já quase no final do expediente, ainda faltavam uns 50 contentores, pois tiveram que usar o guincho reserva, já meio velho. Por causa do prazo, ficaria depois do horário. Fazia questão de cumprir seus deveres, mas também exigia seus direitos: a hora extra seria registrada, afinal, teria uma nova boca para alimentar dali há uns dias. E os dias estavam cada vez mais difíceis com a nova crise econômica do país.
               − Alô? Claudiane? É o Ariovaldo. Chama a Marilene pra mim? – aguardou uns minutos enquanto a vizinha chamava sua esposa. Seu celular não tinha mais créditos e conta de telefone fixo era um luxo que não podia manter.
               − Ari? – veio a voz cansada da esposa pelo fone.
               − Mari, minha flor, vou ficar mais umas horas. Vá deitar e vê se bota os pés pra cima, mulher! Põe o Léozinho pra descansar.
− Ai, Ari, já disse que o nome do moleque vai ser Jhanssen... José Leonardo é muito comum e feio. Nosso filho vai ser diferente. Eu sei!
Ariovaldo não entendia essa mania de nome estrangeiro, era chique demais para um filho de estivador. Após se despedir, virou-se para continuar o serviço e viu o diretor mexendo em um dos contentores mais afastados. Aquele ainda seria içado para o "El Gigante Rojo", o navio colombiano. Estranhou, pois as senhas das trancas não eram divulgadas para a empresa transportadora. Aguardou sua partida; então, chamou dois colegas com um gesto, dispensando todos os demais.
Era muito tarde e Ariovaldo já havia dispensado os outros. Faltava apenas descer do guincho aquele contêiner do diretor, quando o cabo arrebentou. Por sorte, o contêiner caiu em terra. Desceu da máquina resmungando e viu que fechadura de segurança se abrira. Provavelmente, o diretor não havia acionado a tranca ao sair. Curioso e preocupado com a mercadoria, Ariovaldo entrou, acendendo a lanterna, que era parte do uniforme.
O que encontrou, fez sua vida mudar. O contentor estava cheio de caixas térmicas. Com a queda, algumas se abriram, espalhando gelo picado e órgãos em sacos plásticos com símbolos de esterilização. Apesar do choque, não foram os órgãos que alteraram sua essência: foi a maleta preta no canto esquerdo, cujo trinco também se quebrou, espalhando pedras de várias cores, cordões de prata e ouro, saquinhos cheios de pó e armas de baixo calibre, que pareciam ser de ouro também.
Olhando aquilo, ele pensou em Marilene e no pequeno ainda por nascer. Pensou nas contas mais caras, na comida que comprava cada vez menos, pois seu salário não cobria o aumento dos preços. Lembrou da casinha de fundos onde moravam, com vazamento do teto e um único quarto. Ele, que jamais teria pensado em nada disso antes, se abaixou, pegando um punhado daquelas pedras.
Hesitou, olhando aquelas pedras brilhantes e no momento em que decidiu realmente não ficar com nem uma única pedra que seja, a porta do contêiner foi escancarada. Luzes foram apontadas para sua face e as pedras preciosas faiscaram em sua mão.
− Ora, ora, Teixo, quem diria... O caráter de um homem sempre se abala com essas belezinhas na mão, não é mesmo? – risos não identificados acompanharam o sarcasmo da voz do diretor.
− O negócio é o seguinte, mermão, tu num tinha nada que ter vasculhado aqui. E agora, a gente te pegou com a mão na massa. Hoje os peixes da Baía ganham janta! – aquele palavreado típico gelou seu coração, fazendo Ariovaldo temer sua morte.
− Você não precisava anunciar, Chupacabra. O Teixo aqui já sabe do seu destino. – Ariovaldo ouviu, então, um barulho de trinco, a arma engatilhada.

Como uma cena de filme, tudo pareceu acontecer em câmera lenta. Tentou dar um passo para trás, sua mão se abrindo e as pedras caindo no chão do contentor, uma a uma. Um disparo foi dado, o barulho alto demais ali dentro. A última coisa a lembrar foi o sorriso do filho que nunca veria. O tiro certeiro espalhou sangue e massa encefálica pelas paredes. As portas foram fechadas e o navio partiu algumas horas depois.

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E, então? Digam o que acharam!


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Boa Leitura!

Até + ver!

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