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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

12 [Surdos na Ciência] - Tilly Edinger

Olá, nucciamigos!

Estive em débito nas postagens referentes à Literatura Surda e Personalidades, além da coluna Vida sem Som, que fala um pouquinho sobre surdez em geral e da minha vida como surda bilíngue (ou poliglota, se formos incluir outras línguas que leio).

Aos poucos, tentamos normalizar. 

Dito isso, hoje trago mais uma Personalidade Surda a vocês: Tilly Edinger, a mais famosa paleoneurologista da história.



Johanna "Tilly" Edinger nasceu em 1897 como Johanna Gabrielle Ottelie, em Frankfurt, Alemanha, sendo a mais nova de 3 irmãos. De origem judia, se tornou mundialmente conhecida por fundar a paleoneurologia, a ciência que estuda os cérebros fósseis.

O amor pela ciência e neurologia era genético: seu pai era um famoso médico neurologista alemão. Já sua mãe era uma famosa ativista social. No entanto, naqueles dias, uma mulher trabalhando como pesquisadora científica, ainda mais em uma área tão restrita como neurologia, era visto com mal olhos.

Independente da sociedade e do pai e do movimento Nazista, Edinger, que passou parte do tempo estudando secretamente do governo nazista, teve de completar seus estudos nos EUA, fugindo da guerra. Formou-se em duas universidades e conseguiu seu doutorado em Filosofia Natural na Universidade de Frankfurt. Durante anos trabalhou como pesquisadora sem receber bolsa ou salário até ser contratada como curadora do Museu Natural Seckenberg em 1927.

Seus estudos em paleoneurologia continuaram no Museu de Zoologia Comparada de Harvard. Focavam o desenvolvimento de cérebros de répteis dinossauros, como o Notossauro, ao longo de dois milhões de anos.

Todas as informações obtidas com seus estudos foram publicadas no livro "A Evolução do cérebro equino" e "Bibliografia de Fósseis Vertebrados exclusivos da América do Norte: 1509-1927".

Em 1963, foi votada para assumir a presidência da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados e desde então é considerada a mãe da paleoneurologia. Ganhou mais de 5 prêmios de instituições mundiais, entre elas a Associação Americana dea Universidade Feminina Fellowship e Guggenheim Fellowship.

Tilly Edinger começou a perder sua audição quando era apenas uma adolescente. Foi uma doença degenerativa. Ela usou aparelhos auditivo o resto de sua vida. Sem eles, era totalmente surda.

Morreu em 1967, devido a um acidente de carro.

No prefácio de um de seus livros, o eminente paleontólogo estadunidense Stephen Jay Gould escreveu:

"Ela foi uma lição para todos nós, uma das mais notáveis cientistas naturais do século XX."

Fontes:
http://www.twu.edu/dsc/edingerI.htm



É isso!

A intenção da coluna Personalidades é apresentar pessoas com deficiência auditiva que se consagraram na sua carreira.

"A única coisa que eu não posso fazer é ouvir"
(Marlee Martin) 

Bons conhecimentos a vocês!

Até + ver!






Nuccia De Cicco é bióloga, Doutora em Bioquímica, escritora, poetisa, bailarina e blogueira. Carioca de paixão de Santa Teresa, é apaixonada por livros, seriados, tatuagens e lambidas caninas, além de ter uma queda saudável por cafajestes. Surda desde os 27 anos, é co-autora em nove antologias e publicou o livro “Pérolas da minha surdez”, uma obra sobre luta e força de vontade. Todas as suas facetas são mostradas no blog “As 1001 Nuccias”. Nele, a literatura impera!


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12 comentários:

  1. Oiii
    Que legal esse post. Eu sou cientista Natural e amo conhecer histórias que mulheres que fizeram a diferença na ciência. Tilly é uma inspiração para nós!!
    Não sabia que você é doutora em bioquímica. Uau!!! Aliás, estou impressionada com todas as coisas que você conquistou!!!
    Parabéns!!! Ganhou mais uma fã!

    Bjoo

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  2. Olá tudo bem?
    Adoro ver mulheres fortes no nosso cenário mundial, Tilly com certeza é uma inspiração pra todos nós, ela foi até onde as pessoas não acreditavam que ela chegaria por ser uma mulher surda e isso trouxe muitas oportunidades e mostra que todos nós somos capazes de realizar sonhos!
    Você também é um grande exemplo de superação! Parabéns também, admiro pessoas com fibra!
    Adorei o post!

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  3. Olá!
    Adorei o seu post, é sempre bom lembrar as mnulheres que fizeram a diferença!
    Um beijo.

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  4. Oi Nuccia, tudo bem?

    Adorei a ideia da coluna, pois é bacana ver como as pessoas lidam e chegam onde desejavam mesmo tendo uma característica que é considerada por muitos como um empecilho. Eu achei genial e magnífico a forma como ela conduziu a sua vida, mesmo sendo muito discriminada por ser mulher. Eu tenho uma forte ligação com a nação judia, então ver como essas pessoas (principalmente mulheres) são inteligentes e possuem uma força interna é incrível! Adorei!

    Beijos!

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  5. Olá!

    Não a conhecia, mas já a considero, venceu na vida! Teve uma carreira brilhante, mesmo perdendo a audição a cada dia... Adoro conhecer histórias assim, pois me inspiram!

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  6. Oiii!!
    Gostei muito da sua ideia de coluna.
    Eu acredito que todos podem ser e fazer o que quiser, independente de suas limitações.
    Adorei ver essa história inspiradora, nos faz enxergar que conhecimento e dedicação, pode nos levar muito longe.
    Beijos

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  7. Nossa, nunca tinha ouvido falar nela nem em paleoneurologia. Deve ter precisado de muita força de vontade para conseguir toda essa formação numa época em que as mulheres trabalhando como pesquisadoras científicas eram vistas com maus olhos! Tenho uma amiga que tem essa doença degenerativa que a está deixando surda também, mas isso não mudou nada na vida dela, a não ser a parte dela ter que lidar com o preconceito maluco das pessoas.

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  8. Olá... tudo bem Nu?
    Menina que tudo essa mulher ein... nunca ouvi falar nesta profissão, mas tem que gostar muito para fazer todas essas pesquisas e se fortalecer como mulher numa época ainda muito machista... curti demais conhecer um pouco mais sobre uma personalidade que foi importante para o conhecimento... eu sinceramente fiquei bem encantada e mostra que nada pode ser limitado a não ser a nós mesmos... Xero!

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  9. Estou impressionada com essa mulher. Tudo que ela conquistou numa época onde as mulheres mal tinham espaço para opinar, que dirá para trabalhar num ramo como esse. Gostei bastante da coluna.
    Também me surpreendi com a sua biografia. Tanta coisa que você já fez que até cansa um pouco lê. Kkkk brincadeira. Parabéns pelas conquistas.
    Bjs, Mila

    http://esquadrao-literario.blogspot.com.br

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  10. Olá Nu,
    Que post mais diferente e interessante. Adoro conhecer histórias de pessoas que fizeram a diferença e me senti muito contente com essa oportunidade. Tilly pareceu uma mulher extremamente determinada e focada e espero, um dia, ser lembrada por algo que fizer também.
    Beijos

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  11. Olá Nuu
    Adorei o post, é sempre bom ter alguém que mostre personalidades que fizeram a diferença mesmo com suas limitações. Esse post mostram também que não existe o impossível.
    Coloque você nessa lista também, e conte mais sua história de alguem que fez e ainda faz a diferença.
    Beijuh

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  12. É por esses e outros posts maravilhosos que fico cada vez mais apaixonada pelo seu blog!!!
    Parabéns pela iniciativa
    Beijos

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