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terça-feira, 7 de agosto de 2018

2 Resenha [livro] - Além de Ver, Sentir, de Vivi Vresk


Olá, leitores!

A publicação da Antologia Fantásticos está a todo vapor! E acho que esse ano vamos ter Cadeados lançado também!

Enquanto esses lançamentos não chegam ou desenrolam... Resenha de livro nacional, sim, claro ou óbvio?

Acompanhem comigo a resenha do livro Além de Ver, Sentir, da autora Vivi Vresk, publicado em formato digital na Amazon, e que tem um diferencial: protagonista com deficiência


Sobre o LIVRO:

Além de Ver, Sentir
Autora: Vivi Vresk
Editora: Amazon
Gênero: romance
Ano: 2017
607 p.

Sinopse:
Cego de nascença, Gustavo acreditava que o seu maior desafio no curso de mestrado seria a falta de adaptação da universidade a deficiência, mas qual não foi a sua surpresa ao descobrir que contrataram uma auxiliar especialmente para ele? E isso foi só o começo, ele novamente se surpreende ao descobrir que uma colega de sala está interessada por ele. Independente, autossuficiente e determinado, Gustavo levava uma vida plena até se ver rodeado por essas duas mulheres que bagunçam a sua vida e destroem a sua rotina. A cegueira não é limitadora, é o que o Gustavo vai ensinar para você. Os sentimentos podem ser, é o que ele vai descobrir. Mas não existem limites para um homem disposto a lutar e uma mulher que quer vencer. A deficiência e o trauma lado a lado. A vida os uniu, eles aceitaram a missão de transcender.




*Obra cedida pela AUTORA no formato DIGITAL para resenha. As opiniões são exclusivamente nossas. Não houve nenhum tipo de intervenção em nossos comentários.*







Por ser surda, tenho em minha mente que descrições são importantes, porque fornecem todo o visual que precisamos em uma leitura.

Aí, eu peguei um livro em que um dos personagens principais é uma pessoa com deficiência visual. Sim, exatamente, cego. Fiquei mega curiosa para ver como seriam as descrições no livro e que grata surpresa ao me deparar com uma bela história!


Em AVS vamos economizar meus dedinhos, né, conhecemos Gustavo, um professor do ensino médio, formado em Psicologia, cursando o mestrado na mesma área e cego de nascença. O livro começa justamente com o início das aulas de mestrado, com Gustavo fazendo novos amigos na classe, incluindo aí Violet, a sua "monitora" particular.

"O que há com seus olhos? (...) Perdão é que eles são perfeitos, só são... estáticos. - Ela se desculpou como se tivesse me acusado de pedófilo, bandido ou qualquer tipo de atrocidade."

Violet foi contratada pela universidade para acompanhar Gustavo em suas aulas e no que mais precisasse para dar continuidade ao seu projeto de psicologia social. Ele queria montar na escola uma sala cega, onde os alunos iriam ampliar na prática seus sentidos, excluindo aí a visão.

O livro é dividido em duas partes. O começo é voltado todo para a vida de Gustavo, o que ele faz na instituição, como os amigos o tratam, como a peguete só pisa na bola e como o amor entre ele e Violet floresce. A segunda parte é focada na Violet, em seu passado nebuloso e no que ela precisa enfrentar no presente. Também tem foco em como o Gustavo reage a isso.

Assim, eu gostei muito da leitura! É realmente interessante ter em mãos um livro em que os dados visuais não são o mais importante. Pela "visão" do Gustavo, aprendi a reconhecer a importância do cheio, do tato, do paladar e da audição em um livro.

"Não me incomoda ser chamado de cego. / Mas você é bonito - Ela acrescentou como se fosse alguma espécie de compensação. / Por quê? Os cegos devem ser pessoas feias? - perguntei incomodado."

Outro ponto a favor é que me identifiquei com o personagem quase instantaneamente por causa da deficiência. Por ter uma também. Então, eu sei bem o que são aquelas afirmações e perguntas sem noção que as pessoas fazem (até mesmo escrevi um livro sobre isso!).

A Violet é um amor de pessoa. Mesmo com seu passado conturbado (e convenhamos que não existe uma alma viva que não tenha uma bagagem pra carregar), ela é, na maioria das vezes, um amorzinho. Seu passado é que garante as outras vezes em que ela não consegue ser ela mesma. E a autora até que levou bem essa parte.


Sobre os demais personagens, todos bem construídos, na medida certa. Deu uma tremenda vontade de bater na Sheila, a peguete sem noção, e no Gustavo por insistir em ficar com essa coisa! A trupe de amigos aos quais Gustavo conhece ao longo do livro são ótimas figuras.

"Tenho uma memória muito boa, frequentemente consigo reconhecer as pessoas facilmente pela voz, pelo cheiro, pelo toque ou pelo andar."

Algumas cenas são bem impactantes, outras nem tanto. O livro precisa de uma revisão básica. A autora gosta de frases longas, o que mesmo com muitas vírgulas não deixa um tempinho da gente respirar. Alguns outros detalhes já foram repassados a ela.

"Videntes são tão dependentes de seus olhos. Basta apenas um breve olhar para eles fazerem milhares de suposições. Irão supor se é inteligente ou não, bem-sucedido, tímido, aventureiro. Irão lhe rotular de tudo que afirmam ser fato sem nem mesmo precisar ouvir uma única palavra sua, porque seu modo de vestir, seu estilo de vida e sua acompanhante dirão a eles tudo que precisam saber."

Outra coisa interessante: o livro já começa com inclusão! Há uma descrição da capa e das divisórias usadas. Além disso, cada vez que uma divisória aparece, há ainda o nome/palavra abaixo da imagem, assim o coleguinha com deficiência visual pode ouvir o livro tranquilamente.

No mais, é uma leitura muito agradável. Eu recomendo fortemente a quem busca sair da zona de conforto. É um romance, ok, e tem clichês, claro, mas também é de certa forma diferentaço.

Ah! Aproveito para deixar aqui a réplica do depoimento feito sobre o livro do Youtuber cego Marcos Lima:

"Quando a Vivi me disse que tinha escrito um livro em que um personagem era cego, não imaginei que fosse o protagonista. Depois, quando descobri que o Gustavo era o personagem principal, nunca podia imaginar que ela usaria a primeira pessoa para contar a história. E, contando em primeira pessoa, eu nunca imaginaria que ela utilizaria todos os outros sentidos para desenhar o mundo do Gustavo. E que utilizaria tão bem os barulhos, as sensações... Mas, mais do que isso, ela deixou de lado os clichês do cego que não enxerga, para um cego que é autossuficiente, mas que não é super-herói, tem suas fraquezas e seus dilemas... Até aí, eu já estava envolvido. Não é a primeira vez que eu me envolvo com um livro, mas é a primeira vez que eu sinto que eu poderia ter sido o personagem desse livro. Mesmo com vidas diferentes e experiências diferentes, eu e o Gustavo nos parecemos muito na maneira que pensamos e, principalmente, em como reagimos. Em vários momentos, achei que ela pudesse estar descrevendo alguma de minhas reações. Se eu não as tivesse todas documentadas ao longo de meus 20 anos de diário, pensaria que eu as tinha criado a partir do Gustavo. O livro me tocou mais do que qualquer coisa que já li me tocou antes, e isso porque eu senti o tempo todo que estava vilendo (isso mesmo, vilendo) a minha vida."




Sobre a AUTORA:


Designer não substancial para nenhuma pessoa física ou jurídica, ​Vivi Vresk tem por hobby (não declarado) escrever, e é detentora de histórias que vagam entre a sua mente e velhos rascunhos no papel jamais divulgados de forma livre ou paga. Ainda escrevendo apenas pra si, se arriscou por ficção, fantasia e agora o romance (seu primeiro livro finalizado). Em busca de novos rumos, mas sem saber pra onde seguir, se decidiu a fazer pequenas mudanças em sua vida até encontrar o seu caminho, entre elas se encontra a divulgação de seu hobby preferido, e agora declarado, escrever.


Então, vocês viram que eu estou ligeiramente voltada para a escrita e mais atrasada com minhas leituras, mas é por uma causa maravilhosa!!

Vivi, obrigada pela leitura edificante!

Não esqueçam de compartilhar e deixar um recadinho!

Até + ver!

2 comentários:

  1. Estou apaixonada por essa resenha!!!
    Muito obrigada por tudo todo apoio e dicas Nuccia! <3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Foi mesmo um prazer! Agora falta achar tempo livre para ler maus livros seus! ;)

      Excluir

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Mas, ei! Cuidado aí! Sem comentários ofensivos!
Um imenso obrigado de todos nós!

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