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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

0 Resenha [livro] - Eu Vejo Kate, de Claudia Lemes


Preparados para a última resenha do blog em 2018?

Eu tive que pensar muito, mas muito para escrever essa resenha, pois o livro exige isso. Exige que você pense no conteúdo, em como não dar spoiler, em talvez relê-lo só porque... bem, merece.

Respirem fundo e venham conhecer o despertar de um serial killer com Eu vejo Kate, de Claudia Lemes, publicado pela Editora Empíreo.


Sobre o LIVRO:

Eu vejo Kate: o despertar de um serial killer
Autora: Cláudia Lemes
Editora: Empírio
Gênero: thriller / policial / suspense
Ano: 2015
392 p.

Sinopse:
A HISTÓRIA RECOMEÇA

Há um ano, Blessfield, uma pacata cidade do interior da Flórida, enterrou 12 mulheres vítimas do violento e cruel serial killer Nathan Bardel. Ele foi julgado, condenado e morto. Mas antes que as feridas da cidade pudessem cicatrizar, um novo assassino em série surgiu. Mais violento. Mais cruel. Usando o mesmo método que seu antecessor. E ele tem uma obsessão: ela

ALVO NA MIRA

Kate é uma escritora imersa na produção da biografia do assassino em série Nathan Bardel. Enquanto ela mergulha de cabeça na sombria vida do serial killer, ele próprio passa a acompanhá-la vivenciando as experiências conturbadas de sua biógrafa. À medida que se aprofunda nos mistérios de Bardel, Kate desperta outro assassino. Ela não sabe, mas sua vida corre perigo.

SERIAL KILLER X SERIAL KILLER

Desde que Kate decidiu escrever a história de sua vida e de seus assassinatos, Nathan Bardel percebeu que mesmo depois de morto, poderia acompanhá-la. Ele vê Kate. Ele lê Kate. Ele a decifra enquanto ela o investiga. Quando Nathan descobre que um novo assassino está imitando seu método e assassinatos, fica furioso. Aquilo tudo lhe pertencia, foi sua criança e ninguém estava a altura de copiá-lo. Agora ele tem uma nova meta: encontrar o imitador.

CAÇADOR DE MONSTROS

Um agente especial do FBI que tem a capacidade de observar a cena de um crime e definir o perfil do criminoso, Ryan é um dos melhores profilers do país. Mas toda sua experiência será colocada à prova na busca pelo serial killer que não deixa pistas. Expert em Bardel, e envolvido com Kate, o detetive com um passado sombrio se vê mais uma vez numa investigação que pode terminar de forma trágica.


*Livro do acervo pessoal da blogueira*




Quando eu conheci a Claudia, não tinha lido nenhum livro ou mesmo conto de sua autoria. Foi por causa de um curso que ela daria e acabou que nem fiz porque era on-line e, obviamente, não tinha legenda.

Daí eu adicionei a mulher na rede, porque vai que as tecnologias avançam (e avançaram mesmo! Já temos legenda ao vivo no Skype) e eu aprendo alguma coisa só lendo os posts. Aprendi muito, diga-se de passagem. E então me tornei fã. Entenderam? Virei fã da Claudia sem ler uma única linha literária dela. Virei fã por ela ser uma mulher como todas nós: lutadora, realista, sem papas na língua, desbocada, mãe, esposa e trabalhadora. Cláudia é que nem eu, quando tu ama, ama mesmo; quando tu odeia, não tem lava-ranço que limpe.

Mas, Nuccia, que tem a caralha do livro com isso? Ah, sim, claro! Então... Comprei Eu Vejo Kate na Bienal do Livro SP 2016, tentei pegar um autógrafo da Claudia, mas deu ruim, nossos horários não bateram. Levei 87 anos pra ler o livro. Comprei o livro novo esse ano sem ler os anteriores. Minha mãe leu o livro antes de mim! Eu tô uma vergonha pura!

Mas enfim, me revoltei, larguei todos os que estavam na pilha antes dele e peguei o livro pra ler. Contando bem as horas em que passei com o livro aberto na minha frente, garanto que li em menos de um dia. Mas... Contando em dias, foram 2 eu trabalho, gente, não parece, mas trabalho.

Agora, sim eu posso falar do livro. E vou começar do jeito que muitos resenhistas devem ter começado:

"Eu vejo Kate. Ela não me vê."

Essa é a primeira frase do livro e só no final que você consegue entendê-la, se prestou bem atenção no subtexto da autora.

Inicialmente, ela não tem nada de mais. É só um assassino relatando que observa uma pessoa que poderia ser uma vítima em potencial. Ele é o primeiro narrador que conhecemos. Só tem um probleminha: o assassino morreu oito meses antes, na prisão federal.

Pois é, vocês entenderam: o morto é um dos narradores. Prazer, vocês conheceram Nathan Bardel, um assassino em série que matou diversas mulheres na cidadezinha de Blessfield.

A vítima? Kate Dwyer, uma escritora com péssimo gosto para homens, uma amiga ex-amante mais péssima ainda e um novo trabalho em mente: estudar, pesquisar, se afundar e escrever a biografia de Nathan Bardel.
.
"Ele era 100% saudável, sabia o que estava fazendo e tenho certeza que era capaz de sentir empatia. Não louco, Savvy, ele era cruel. Há uma diferença."

Nesse meio tempo, para concluir seu trabalho, Kate precisa se encontrar com o agente do FBI que cuidou do caso Bardel. E aqui conhecemos o terceiro narrador, o ex-agente especial Ryan Owen, que possui um passado conturbado com uma parceira depressiva.

Esses primeiros capítulos são para entendermos os personagens. A crueldade de Bardel, o interesse mascarado pela amizade de Savannah (sua amiga e editora), o machismo imperioso da família de Kate, sua mania de auto-sabotagem e destruição, o fogo sexual que rola entre ela e Ryan também o cinismo do ex-agente.

Também sabemos que a editora mandou Kate encerrar a pesquisa, pois não vai publicar a obra. Isso depois de já ter aceitado. Estranho, não?

Aí Kate recebe uma ameaça. Durante a noite, em que Ryan está com ela no seu apartamento, uma de suas vizinhas é assassinada. O modus operandi e a assinatura desse assassino é idêntica a de Bardel.

"Fecho meus olhos e tento me colocar no lugar de Nathan. Quero ver aquelas mulheres com ódio. Percebo que sou incapaz. Eu ainda as vejo como seres humanos e não sinto desejo algum de vê-las sofrer. Posso chegar a entender Nathan, verdadeiramente, se sou tão sensível, tão normal?"

Um novo assassino? Um imitador? Outra mulher aparece morta, na cidade de Blessfield, a cidade natal de Kate e de Nathan. Quem está matando essas mulheres?


Mano...! Que livro!!! Vou ser sincera e dizer que achei estranho no começo. A leitura era meio truncada, sabe, tinha um jeito brusco de narrar. Acho que é porque estou acostumando com romances e dramas e esse tinha um jeitão de relatório policial. Então o começo foi meio ahn?, mas depois fluiu porque a história demandava essa fluência.

Você termina uma página, pedindo, implorando pela seguinte. Em alguns momentos achei o relacionamento de Kate e Ryan meio forçado, meio por que isso?, mas você aprende a entender que é da personagem. Ela é péssima pra macho.

"(...) Ler a Bíblia não faz de uma mulher uma santa. / O que faz? / Nada, elas são animais como nós. Cadelas para cães."

Eu vou ser sincera e dizer que tive de parar de ler por umas duas horas. A primeira, quando descobri quem era o assassino (quase acertei e não posso dizer por que ou como quase, pois seria um spoilerzaço). A segunda, pelas descrições do que o assassino fazia. Foi por choque.

Cruéis. Realistas. Coisas que você sabe que existem, sabe que acontecem, mas finge que não vê. E quando vê ou imagina, se choca a ponto de dizer à autora que foi exagero. Desculpa, gente, mas não foi. Se você não quer sangue em um livro de thriller e serial killer, vá ler Julia Quinn. É igual abrir um livro de Stephen King e achar que não vai ter um monstro ou outra dimensão. Francamente.

Pombas! A capa é toda sanguinolenta, a sinopse fala de serial killer e estupro, tem uma fucking introdução da Claudia explicando a escolha pela violência. Tu abre o livro sabendo o que vai ter e reclama do realismo??? TNC. Bonito.

"A verdade é que, em algum nível, todos os homens fantasiam com estupro. Sobre controle e dominação."

Ao final do livro, Claudia disponibiliza o nome de cada música que Nathan dedicava às suas vítimas. A explicação está na narrativa. Tem "transcrições de entrevistas" lá também.

Quando terminei a leitura, deu ressaca. Daqueles que você passa horas olhando para o teto à noite, pensando em como a humanidade é tão escrota. Pensando no subtítulo do livro e que meodeos "o que acontece com a mente humana pra isso existir"? Vira a noite pensando no porquê de Kate finalmente ter visto Nathan.

E eu quero falar sobre isso, mas não posso, porque é spoiler, caralhos! Preciso ser salva!!!! Em que sinuca de bico eu me enfiei?!

Favoritei, favoritei com orgulho, sem nem pensar duas vezes. Fecho o ano com uma resenha de um livro que merece palmas. E, um segredo, disseram pra mim que Inferno no Ártico, o livro lançado este ano, é bem melhor. Realiza!



Sobre a AUTORA:

Cláudia começou a escrever aos 13 anos de idade. Seus primeiros leitores foram suas amigas. Desde então vem amadurecendo sua mão literária e produzindo cada vez mais, sempre movida pela paixão de dar vida às pessoas que vivem em sua mente. Cresceu no Rio de Janeiro, na Califórnia e no Cairo. Teve a oportunidade de conhecer dezenas de países em quatro continentes e foi essa vida cheia de aventuras, a responsável por seu fascínio pela história, mente e comportamento humano. Em 2015 assinou seu primeiro contrato com a editora Empíreo e desde então vem aprimorando cada vez mais sua escrita e conquistando o grande público.



É isso, meus caros, consegui não deixar escapar quase nada. Quem gosta de thriller, precisa ler esse livro. Você não precisa gostar da Claudia, nem das ideias dela, nem da sua convicção política, ou o seu papel feminista. Leia o livro e aproveite bem!

O blog vai entrar em recesso para férias de verão (e atualizações). Lá elo dia 15/01, acho que voltamos. Desejo a todos boas festas, bom ano de 2019 e aguardem que o lançamento de Cadeados (físico e e-book) está pra acontecer!

Feliz Ano Novo e até + ver!



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